Poesia do Espelho

Pelo espelho vejo reflexos
Não de gente,
Nem de pessoa carente,
Vejo  âmbitos complexos...

Pelo espelho, sinto a agonia
Aquela de olhar para algo 
Que talvez seja, uma sequela
Por menores, não sou sintonia

Pelas sombras, visto a máscara 
Pois os monstros me observam 
E deveras, nem sempre conservam
À beleza interna,  ainda persisto.

Pelo espelho, vejo caminhos 
Árduos, mas prodígios 
Que talvez seja capricho
Mas, nas vértebras, não me sinto sozinho.

O espelho reflete
O seu melhor lado
E o seu pior passado
Aquele  a quem se submete.

Cuidado, o espelho é traiçoeiro 
Em vida, te mostra sua face
Na trégua, atreve sua classe
Em meio a um nevoeiro...

Espelhos são metáforas da vida
Nas análises, nos condenam
No suporte, apenas incendeiam
À esperança de um conselho.

Comentários

  1. Inconfundível sua poética (estilo de autor)! O eu lírico grita o jeito Pedro de se expressar (expressividade marcante e envolvente). O léxico/vocabulário pensado; escolhas perfeitas das palavras, desencadeadoras de múltiplos sentidos, as quais misturam o simples e o complexo (antítese) e chegam arrebatadoras.
    Não poderia ser menos que formidável - sempre!

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